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TE AMO

Paulo de Barros
Há um vago silêncio sulcando as madrugadas e os mares
Fazendo chover na pátria do corpo domínios de pedra em fúria
Tento: Mas o tempo o tempo vai fechando a porta ao lamento do poeta
Trazendo em seu ventre a solidão amarelada das bocas do vento...
Derramando ausência por esta minha sede eterna
Fazendo regressar aos olhos do mar tuas tantas almas
Aromas palpitantes e o fogo genital de tua geografia multiplicada
Enquanto o amor cheio de tempestades vai fugindo assim...
Desditoso lacerado naufragado no inumerável quebrar de ondas
Que se debruçam sobre o mar sacudido espumas flutuantes
Crepúsculos sonhos de asas quebradas bocas rubras rasgadas...
E se resisto às noites negras que caem sobre o mundo inclementes
Lacrando para sempre o sorriso de teus lábios em meu deserto país...
É porque te amo mais, muito mais do que podem dizer os pobres versos meus.