Academia Tricordiana de Letras e Artes - ATLA

Espaço de intercâmbio e difusão cultural, organizado a partir dos membros integrantes da Academia Tricordiana de Letras e Artes de Três Corações, Minas Gerais - Brasil. Canal interativo de comunicação e expressão, aberto para estudiosos e amantes da

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Terra Blog

Arquivo de: Junho 2008, 06

06.06.08

A Mídia e a Cultura

   Para começo de conversa e não com o intuito de menosprezar a inteligência do leitor, mas para melhor orientá-lo, é importante que recordemos que a palavra “mídia” nos remete à palavra “média”, ou “meio”, compreendendo assim, aquilo que se interpõe entre o emissor e o receptor, no processo de comunicação.
   Embora os “meios” de comunicação não tenham, a meu ver, uma finalidade estritamente educativa em primeira instância, podendo conjugar outros objetivos que se vinculam aos interesses empresariais, econômicos e ideológicos, um emissor, seja ele em qualquer setor que atua, acaba favorecendo na transmissão de valores, informações, hábitos, costumes e influenciando na constituição cultural de um povo, contribuindo até mesmo, para a formação da sua própria identidade. Já foi dito que a TV funciona como um espelho aonde, paradoxalmente, se vê o que é transmitido e ao mesmo tempo, o público se vê ali refletido, criando assim uma espécie de “auto-imagem”, o que os estudiosos da comunicação chamam de “conceito de si mesmo”.
   Se nem todos pretendem realizar um trabalho de educação propriamente dita, existem hoje canais que se especializam nessa questão educacional. Esse paradigma de comunicação procura, na maioria das vezes e dependendo do modo como lhes chegam os recursos para o seu gerenciamento, distanciar-se um pouco dos padrões mercadológicos e das imposições que esses lhes causam, permitindo a si mesmos a idealização de outras “agendas”, outros “vôos”, outros “ritmos” e outras linguagens...
   Houve uma época no Brasil e não faz muito tempo, em que a TV era muito restritiva e monolítica. O chamado “espelho mágico” só fazia refletir uma parte da realidade do país-continente e vivíamos intensamente mergulhados na realidade do eixo Rio-São Paulo. Como se tudo isso fosse o supra-sumo do Brasil. Vivíamos de costas para muitas outras realidades nacionais e boquiabertos com a “glamourização” de um Rio mostrado, quase sempre, a partir das telenovelas gravadas nos bairros nobres do tipo Ipanema, Copacabana e Leblon. É claro que assim era, mergulhados em tantas carências, quem iria querer ligar a TV para ver a pobreza? Para tanto, bastava abrir a janela.
   O avanço da tecnologia vai trazendo as suas inovações e algo de novo vem acontecendo. Acho até emblemático aquela publicidade do Lima Duarte personificando o “caipira” postado ante a porteira, admirado com a chegada da parabólica no campo. Quem possui um pouquinho mais de recurso já pode ter como fugir da ditadura mercadológica da mídia e acessar canais que procuram reproduzir outras visões. É claro que para quem, cuja mente já foi acostumada, ao longo de tanto tempo, recebendo um tipo e um formato de conteúdo, será até difícil mesmo migrar para outras experiências. Mas um dia desses uma pessoa residente numa área rural, dizia gostar de assistir canais que conjugavam educação com entretenimento. A mentalidade muda e a mesmice cansa... Confesso já estar cansado de ser chamado de “Galera!”. (Veja lá no dicionário o significado disso...)
   Canais como TV Escola, Canal FUTURA, TV Senado e TV Câmara, a TV BRASIL e as TVs Estaduais com enfoque cultural, estão realizando um trabalho digno de nota. Ainda falta muito para acontecer uma verdadeira democratização dos meios de comunicação no Brasil e isso será imprescindível para que aconteça a tão necessária “formação identitária nacional” tão propalada pelo antropólogo Darcy Ribeiro. Acontece que uma TV não vende apenas produtos, mas ela ajuda como ninguém a formar a “cara” da nação que queremos ser. Nós brasileiros ainda não sabemos ao certo quem somos. A nossa fragmentação cultural ainda não foi bem assimilada e aquilo que nos deveria enobrecer, em muitos casos, ainda nos causa estranheza. Hoje somos menos felizes, porque desconhecemo-nos a nós mesmos. A mídia deveria ajudar-nos nesse processo de inversão e assimilação. Mas quem vai querer criar caminhos alternativos?
   Acredito que a implantação de uma Rede Pública de Televisão seria um momento fundamental da democratização das comunicações no Brasil. Ela deveria privilegiar a democracia e a diversidade cultural. Os critérios de utilização dos canais criados pela televisão digital devem ser revistos, abrindo espaço para novas concessionárias, privilegiando-se entre eles: organizações da sociedade civil e instituições públicas, como as universidades.

Luiz Sérgio Mafra – Professor de Comunicação Comunitária na UninCor.

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Sessão Solene de Posse de novos membros

categorias: Galeria de Fotos

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Objetivos e Equipe Responsável

    Este blog pretende ser um espaço de intercâmbio e difusão cultural, organizado a partir dos membros integrantes da Academia Tricordiana de Letras e Artes de Três Corações, Minas Gerais - Brasil. Canal interativo de Comunicação e Expressão, aberto para estudiosos e amantes da língua e da literatura em todos os seus gêneros, elemento de apoio e de valorização das mais variadas formas de expressões artísticas gestoras da nossa identidade.

   Este blog pretende ser como que um ACERVO e um MEMORIAL VIRTUAL, enaltecendo as figuras expressivas do passado e do presente, tendo sempre em vista o legado humanístico a transmitir aos homens e mulheres dos tempos vindouros...

   EQUIPE RESPONSÁVEL:

   Luiz Sérgio Mafra (idealizador)

   Neide Naves

  Roberto Ferreira

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